Google+ Followers

domingo, 14 de janeiro de 2018

Flor de Luz

Flor de luz
Te trouxe um pavio pra explodir corações

Segredos profanos, silêncio em ti
Castanhos chorando, eu to aqui!
Curto teu cabelo curto
Mostrando teu rosto
Forte, negra ameríndia
Fraca, apenas, menina

Olha atrás do espelho
Que atrás do espelho o passado é vivo
Beleza, tristeza, mas nunca solidão.
Ao seu lado, estamos
Aqui estaremos na hora do abraço
Tua luz vence a escuridão.


Quinhentos

Quinhentos anos atrás
Quinhentos anos atrás pra frente
Chicote estalando, pressão lá no norte
Gente de sorte nascia cor de leite.
Vossa Santidade exclamou:
- Tá liberado!
Passado, passado...que nunca passou.

Nave espacial de abduzir pelo mar
Trazendo pouco a pouco
Viemos tantos pra cá...

Hierarquia é a Lei:
Capitão obedece o Major
Que obedece o Tenente Coronel
Que obedece o Coronel
Que não obedece a Lei.

Montado em meus, ombros um homem,
Senhor de nada, pele escura
Como eu mas não como eu
À cavalo, à blindado
À mando de alguém que não é como eu.

Eu vejo pele parda em homens negros
Eu vejo pele negra em mulheres negras
Não está direito não ter direitos.

Da última vez que o vi, estava sozinho
Ainda caminhava, estava sorrindo
Feliz, encontrou a polícia em seu caminho
IML, esse é só mais um corpo de menino...

Capataz, teu serviço é ser algoz
Alma serena, fama de feroz
Sofrer por teus olhos verem pecado
Na pele de um povo livre por ti escravizado.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Palavra Tridimensional

Teu corpo
Essa palavra tridimensional
Movimento orgânico
Uma voz que gesticula
Torce e contorce
Meus olhos de compreensão.

Teus olhos
No escuro a ver oscilando
E sentir rebater em tua pele
A história do vento que passa
E faz da sua forma
Anteparo do seu canto.

Não há nada:
Nem glória, nem beleza,
Nem sutileza, nem brilho.
Só há em ti a essência e a fronteira
Tradução de contornos
E música em sua silhueta.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Tim tim por tim tim

No sopé do amor perco a vida
Descambando no início da jornada
Não abro caminhos e nem sigo viagem
Meu carro tem sempre a roda arriada...

Planejo derrotas tim tim por tim tim
Cada detalhe, cada tropeço
Antes do começo vou procurando o fim
Não viverei feliz pra sempre pois não mereço.



sábado, 30 de dezembro de 2017

Escombros da carne

É noite em mim, reflito estrelas
Sou mar de ondas correntes
Sou rio que a maré leva e traz.

Atrás dos meus olhos vermelhos
O mundo se forma na contramão
Medos do passado voltam sem convite:
É tempo de poesia pra salvação.

Posso ser minha promessa divina
Os meus segredos ainda são só meus
Espreito meus pensamentos na surdina
Rezo, mas a minha prece não é a deus.

Não pode ser justo o amor, acredito
Mundano, erguido nos ombros da dor
É triste: pra ser feliz só se sangra
É lasso pela servidão ao seu senhor.

E o choro que longe se escuta
É luta? É sangue? É o quê?
É rio que flui para a nascente
Lágrimas de uma vida sem porquê.


segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Passado Atlântico

Sonhei que chovia na praia.
O mar é meu companheiro e me conhece bem.
Temos boas histórias juntos
E as más, prefiro fingir que não existem.

Não sei se as águas têm boa memória
Mas acredito que algo dentro delas
Percebe que ali estou eu
Filho da mãe das águas a tocá-las
A caminhar ao pé da areia a perguntar
"Como vai, velho amigo? O que tem feito?"

Minhas memórias com o mar me beijam
como um cachorro lambendo o dono
como virgem no primeiro beijo.
São momentos de me lambuzar com o passado
Um passado Atlântico, como o do Brasil.

Acorda, paz!

Brancos são lindos
brancos são puros
brancos são justos
brancos são...brancos!

Brancos toleram
brancos são nobres
brancos são ricos
brancos são...tantos!

Brancos não roubam
brancos não matam
brancos não escravizam
brancos são...Santos!

Brancos de direita
brancos de esquerda
brancos se digladiam
brancos aos prantos.

Brancos do capital
brancos ricos, milionários
brancos bilionários
brancos donos de bancos.

Brancos prefeitos
brancos deputados
brancos senadores
brancos...malandros!

Brancos libertos
brancos alforriados
brancos desacorrentados
brancos nunca no tronco.

Pureza...a pomba e a paz
Tua cor, que erro enorme!
Lascívia, branca negação
Genocídio na miscigenação.

Pecados que os santos perdoam
E o vermelho que pintou esse chão
Seu olhos enxergavam ouro
Os nossos, viam uma nação.

Agora, o branco é pardo
Alisado na integração
Teu nome em lábios de Europa
Acento na entonação

teu corpo em pele de África
Nasceu da própria exploração.
Rebanho nascidos da morte
Saúdam a negra extinção.